Sobre o Autor

UM CIDADÃO COMPETENTE E OBSTINADO

Para além dos fatos e suas comprovações, apresentados neste livro, convém que os leitores conheçam um pouco do personagem Cláudio Braga de Abreu e Silva, para melhor entender sua personalidade e as suas características, próprias de quem ousa pensar fora da caixa e se dedica obstinadamente a comprovar teorias improváveis.

Talvez eu seja a pessoa mais indicada para falar sobre ele, pelo convívio de décadas, pelos embates sem bom senso, pelo tanto de paciência que já gastei, e por tudo que já li em primeira mão e reli, por obrigação.

Cláudio é uma pessoa fora dos padrões e a obstinação é sua principal característica. Ele se move por convicções, escolhas e vontades bem definidas. Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, é neto de dois de seus primeiros prefeitos, Francisco Braga e Fernando de Abreu, filho de um sanitarista realizador, Dr. Bolivar de Abreu, e sobrinho de poetas e cronistas, Newton e Rubem Braga.

Menino com a língua presa, trocava o C pelo T e sofreu com isso. Foi primeiro aluno a vida inteira e ganhou o apelido de Banal quando, instigado por um professor de matemática, disse que a solução do problema mostrado no quadro era banal. Sua carreira de músico desafinado e compositor destemido resultou em dois CD ́s autorais gravados e distribuídos gratuitamente. Sempre gostou de estudar, de ler e pensar deitado na cama, de pijama, e de passar horas digitando no teclado.

Experimentou as dificuldades da trajetória como empresário ao criar o AçãoData, um sistema para análise de investimentos em ações com base em pioneiros índices corrigidos monetariamente, em meio a inflações galopantes.

Com dedicação e convicção quase doentia, criou e expandiu a sua Teoria Geral da Bidualidade – TGBD, que ajuda a explicar muita coisa por aqui. Durante décadas, fez carreira de técnico qualificado e independente do BNDES, iniciada depois do mestrado na COPPEAD/UFRJ.

Movido por uma profunda descrença nas experiências e tentativas de solução para reduzir e manter em níveis razoáveis a nossa inflação, declarou em alto em bom som, na varanda da minha casa no fim de 1992, que achava que era perfeitamente possível dar um jeito na economia do país. E, com a maior tranquilidade declarou, isso mesmo, que iria inventar algo muito simples e potente para fundamentar decisões de governo e dos agentes econômicos e sociais do Brasil.

Lembro de seu entusiasmo nos primeiros meses de formulação das ideias e conceitos, da sua obsessão desvairada em buscar fundamentos técnicos para algo novo, fora de tudo o que já havia sido testado e utilizado por muita agente qualificada. Haveria de ser algo repleto de obviedades elementares e, sobretudo, apoiado em conceitos consistentes.

Sou testemunha da sua crença absoluta no que estava criando e na sua crescente excitação em mostrar suas ideias e proposições, inicialmente aos colegas e dirigentes do BNDES e, em seguida, aos economistas que atuavam em órgãos públicos, a professores que pesquisavam temas correlatos, a dirigentes de órgãos do governo federal, a lideranças políticas e jornalistas da grande imprensa. Aqui, cabe realçar a generosidade de meu querido irmão em mostrar como o veneno da cobra poderia ser usado para exterminar seus malfeitos. Ele se enchia de disposição para demonstrar a engenhosidade embutida num índice mágico poderoso, capaz de ser compreendido e aceito espontaneamente por muitos, ainda que sob desconfiança inicial de uns poucos.

A sua euforia se estabeleceu ao ver seu nome impresso em um grande jornal do Rio de Janeiro, em uma matéria sobre suas propostas. Vi suas expectativas em ser reconhecido e aplaudido por seus méritos irem para a estratosfera.

É fácil imaginar sua decepção e desapontamento ao ir tomando conhecimento, pela imprensa e conhecidos, sobre reuniões de pensadores acadêmicos, homens de governo e empresários, para discutir alternativas de encaminhamento de ajustes na política econômica, sem ter sido convidado a participar de nenhuma reunião, com quem quer que fosse.

Aqui, começa um capítulo muito desagradável e cheio de emoções extremamente danosas para um cidadão de primeira linha, para um técnico qualificado de uma relevante instituição pública, para um homem ciente e convicto de seus valores.

Agora, 30 anos se passaram, os impactos positivos do Ovo de Colombo, digo de Cláudio, estão por aí.

Recentemente assisti, pela TV, parte de reunião na PUC/Rio de professores sobre o processo de criação do Plano Real. Nenhum deles esclareceu onde foram buscar os fundamentos técnicos utilizado para criar a URV, a verdadeira alma do Plano Real, que Claudio a batizou com sendo Cruzeiro Cambial. De lá pra cá, tenho visto e lido muitas matérias com os que se consideram os reis da cocada, mas o mistério das fontes continua em vigor.

Cláudio decidiu publicar este livro para informar os brasileiros interessados sobre a origem dos fundamentos técnicos da URV e, sobretudo, para lavar a sua alma de cidadão de bem, de pessoa íntegra, de homem honrado e respeitado por seus méritos. Para tanto, ele disponibiliza o que produziu e arquivou sobre sua contribuição ao país.

Alvaro Abreu
Irmão do autor